sábado, 2 de novembro de 2013

(Des)encontros



Nossas vidas se cruzaram de modo tão inesperado
que nos atropelamos.

(Não sei quem segue mais machucado,
mas por aqui a dor se esparramou em lágrimas
que só com o passar do tempo se secarão.)

Ainda debilitado de movimentos 
levantei-me do chão e avistei que à frente 
havia pelo menos meia dúzia de semáforos e dezenas de setas.
Vi um homem aparentemente cego
que desafiava todas as indicações presentes.
Ele talvez só enxergasse com a bengala
e com o coração na mão 
por poder morrer a qualquer instante.
Mas ele seguia valente seu próprio caminho,
por talvez sentir todas as outras coisas a mais que eu.
Não sei qual força o movia,
mas eu precisava encontrar a minha.

Ah, sobre nós os atropelados,
seguimos as mesmas direções que estávamos antes,
ainda que já não somos mais os mesmos de outrora.

Jefferson Santana

domingo, 22 de setembro de 2013

Da Primavera

Embora eu fosse todo inverno,
foi impossível deter a primavera
quando nossos olhares se cruzaram
e eu me deixei ser regado pela sua boca.

Jefferson Santana

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Cometeria o crime perfeito...
matou o amor de dentro de si.
Porém (in)verso do que queria,
deixou rastros em poesia.

Jefferson Santana

domingo, 18 de agosto de 2013

Das coisas incompreensíveis



Impossível sintetizar o céu 
numa única cor
logo que se está amanhecendo.
Mas logo vai vindo e presenciamos o dia,
e a gente vai passando a tarde 
mencionando um nome na mente.
Talvez em busca de adjetivos que possam definir
vamos criando metáforas com os olhos
que veem presença na paisagem
ainda que esteja ausente a pessoa mencionada. 

Das coisas concretas 
já me bastam as conclusões,
às vezes eu prefiro beber da loucura
do que apenas o refresco limitado da água de um copo.
Por isso vou sendo embalado pela trilha sonora
que ecoa quando a moça fala
e, caminharei ritmado pelas batidas deste meu coração.

Jefferson Santana

domingo, 11 de agosto de 2013


Eu quero um poema que não seja de comer,
Mas que a boca possa degustá-lo.

Um poema não precisa ser gostoso,
Mas para bom uso, 
Língua deve possuí-lo saborosamente.

Para quem mais leia,
Que se lamba com cada sílaba deslizada da cadência dos lábios!
Que de partícula em partícula
Nutra o corpo e vermelho sangre!

Cada estrofe facilmente estufa
Aqueles que só consomem criação industrial,
Mas eu constantemente me alimento de versos,
Diversos e demais versos que matem fome de palavra...
Versos em porções desproporcionais aos regulamentos.

Jefferson Santana

domingo, 4 de agosto de 2013

Medidas e alcances



Não me diga que a vida é composta de medidas!
Que se mede valor
pelo preço que se paga 
até pelas inutilidades.
Desse jeito eu não meço meus desejos...
aliás, nunca medi meus desejos
achando merecer mais do que tenho.

Eu só quero medir 
a distância entre mim
e outro coração batendo,
pra que de fato possa chegar a algum lugar.

A vida...
A vida de fato também é uma composição de medidas,
ora cautelares,
com um tanto colaterais.
Mas não me amarre
ao menos que alguém me ame.

Gosto muito das maçãs,
principalmente as dos mais altos galhos...
as que talvez nem alcance.

Jefferson Santana

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Dispersar

Diversas doses ventriculares de desalentos
irrigaram desordenadamente meus impulsos.
Restou sobreviver de marcapassos,
contando as dores
antes mesmo de viver as aventuras.
Porém nem sempre as comportas
comportam o que queremos.

Abrirei minhas veias
dispersando no espaço
veneno e sangue,
ainda que não me renove...
ainda que o verbo não se remova.

Talvez em algum tempo
de mim façam alguma ceia,
servida a cada página
de vida virada dia a dia.
Afinal,
hei de morrer e renascer nas madrugadas. 

Jefferson Santana

domingo, 23 de junho de 2013

sábado, 22 de junho de 2013



caminhar direito para não perder o rumo
e jamais marchar 
à direita


Jefferson Santana

sábado, 15 de junho de 2013

TÁ CARO MESMO!



Tá caro mesmo!
Tacaram preço alto na passagem,
atacaram nosso direito de passagem,
atacaram a escola pública,
atacaram a saúde.
Atacaram-nos com a sua corrupção,
atacaram-nos à borrachada,
mas não apagaram o desejo da mudança.

Tá caro mesmo!
E mesmo que se pague 
preço alto pela revolta,
não sou cão de guarda adestrado
pra viver seguindo ordens. 

Tá caro mesmo!
Mas prefiro defender 
meu valor de cidadão
do que pagar o preço 
de ficar em silêncio.


Jefferson Santana