sexta-feira, 12 de abril de 2013

Cada vez mais (di)versos


vi(de) verso(s)

às vezes deixo lágrimas avulsas,
até porque meus sentimentos
não ficam contidos em embalagem fechada.



hay quien
lucha con(tra)
el amor


Partiram seu coração
no meio.
Não iria atrás de novo amor... 
ma(i)s foi(ce). 



ainda que os lábios não alcancem 
declamar poesia é o beijo dado à distância.


ainda que a poesia não seja açúcar
e não adoce os seus lábios,
como não sentir a delícia 
da palavra que se pronuncia?


Jefferson Santana 

sábado, 30 de março de 2013

Desejo inter(in)disciplinar




Ainda chegará o dia em que eu,
sujeito simples, terei composto
teus períodos mais-que-perfeitos
e teus suspiros  mais que exclamativos.
Língua e língua em intensa sincronia,
conjunção de corpos como aditivos.

Mas você que a tudo define como estória
de minha parte, ainda verá que nenhum dos registros
é tão verdadeiro como esse desejo que se alforria
do mediterrâneo do eu contemporâneo .
Não haverá tempo futuro que se agrade
se não souber do presente que é este nosso tempo.  

Até por isso, declaro que meu norte é teu corpo
que de região em região beijaria até o extremo de teu sul.
Rosa-dos-ventos de meu coração
sem noção e sem senso de direção.
Perderia-me facilmente nesse encontro
de nossas massas quentes em nossos relevos.


Ainda que me chame de explorador de teus sentidos
o contexto é entre eu e você no mesmo ambiente.
Mais-valia ou mais vale nossa relação conveniente,
do que Marx e mais desculpas esfarrapadas.
Sociólogo ou sou seu logo amor na práxis...
pratiquemos pra que ambos da vida gozemos.

Mas você ainda acha que fico de filosofar à toa,
só não sabe que nada sabe ainda
que eu projeto meus sonhos nesta folha
pra que eles atormentem suas dúvidas.
Quero certamente teu ser na essência
Sem nenhuma inocência mentirosa.

Pois de todas você é a escultura
que quero acariciar em cada curva.
E mesmo que meu pensamento seja uma tela
que te pinto e te marco a traços intensos,
ainda poderíamos dançar a música
que embala os roteiros mais românticos.

Pra ser mais direto, se nós dois formos somados
poderíamos dividir a mesma cama, sofá, chão...
e multiplicarmos carícias, beijos, orgasmos.
A fórmula é simples, portanto, pra quê problema?
É mais que necessário subtrair qualquer medo,     
viver e viver ao invés de só sobreviver deci-mal.               

É forte meu desejo e frente ao teu
é uma energia potencial fluorescente.
Somos descarga elétrica se fundidos.
Então vamos cortar o tempo que estamos distantes
pra que nos aproximemos mais rapidamente
e dividamos o mesmo espaço e presença.

Sejamos mais imã e aço,
juntemos nossos polos e façamos a dispersão
de nossa intensa e constante ebulição.
Somos compostos por uma química perfeita:
nossa matéria interligada é chama,
combustível e combustão completa.

Epidemia que toma conta do meu ser
Contagiando o teu ser pelo contato.
Meu fruto carnoso e teu fruto encharcado
formam a simetria exata: o encaixe e o desencaixe.
Ainda que sejamos movimento e pausa
é da na tua pele e teu corpo que está meu nutriente.

Pra que correr atrás de ti, se correr junto é o essencial?
Sincronizar ações e emoções
sem resistência definida e cronometrada.
Ainda que sejamos movimento e pausa novamente
quero exercitar teus lábios... todos eles,
que estejam no teu conjunto de modalidades.

Língua minha te provando...
e provando-te que comunicação acontece
mesmo que existam diferenças de termos...
gêneros distintos. Somos inter(in)disciplinados.
She, nem queira agora inventar de He de mim,
Le deseo mucho e ponto final.


Jefferson Santana



sábado, 16 de março de 2013

sou (di)versos


Jefferson Santana e alguns de seus (di)versos

Falta de amor é a pior doença,
até porque tem muita gente
morrendo por causa disso.


um poeta (ins)pirado
(ex)pira poesia,
mas também acho,
que poesia (ins)pirada
(ex)pira poeta.



(DES)AFIN(AR)

Ainda que seca,
sua boca 
não se calou.

Muito a fim de falar,
deu o ar da graça. 



"Tudo na vida tem um preço..."
quisera eu, que a importância acima
não dependesse da minha carteira vazia de valor,
mas de meu coração cheio de amor!


Sentia-se nas nuvens quando amava em tempos de chuva.
Mas quando despencou daquele céu,
foi ela que despencou um temporal de lágrimas.


a boca já seca, muito seca
de cantar o amor que sentia por ela
aos quatro cantos da cidade

a boca seca, muito seca
e tanta sede, tanta sede
e tanto se excede...
que somente embebedando-se... 
embebedar-se dos lábios dela.


Amor em poeta
vem sem definida seta,
e de qualquer direção o acerta.


criou desgosto pela vida,
pois o gosto que ficou,
foi o do amargo último beijo.


Todos os meus poemas são atentados.
Por isso, atentem-se as cabeças,
atentem-se os corações.


arranha-céus
arranham seus...
nossos olhos


Tantos rascunhos,
tantas linhas tortuosas, 
tanta coisa jogada fora
e, ainda assim,
alguma coisa consagrada como poesia. 

sábado, 2 de março de 2013

Era uma poesia ambulante




Em noite de lua cheia,
ela passava por mim
deixando fragrância de flores
embaladas pelo sereno.

Era noite,
mas via seus lábios molhados,
como orvalhos que me amanheciam.
Deixava meus olhos com brilho de estrelas,
quando via suas curvas que me conduziam
aos mais intensos desejos líricos.

Era uma poesia ambulante.
Foi-se,
mas espero que logo volte.


Jefferson Santana

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Sonho e Realidade


Pelo que sou,
eu jamais seria 
o homem dos seus sonhos.
Sou mais real do que você imagina!

Jefferson Santana

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Poema enAMORado



Eu te amo
porque te amo.
E por que não te amaria,
se pra te amar
não faço uso do verbo explicar?

Eu te amo
e talvez amanhã digam que amei
mais do que pude.
Mas, se posso amar,
por que haveria de negar?

Eu te amo
e se o amor for chama,
melhor que te chame...
e também  te inflame,
porque com dois,
melhor para mantê-la acesa.

Eu te amo
amando depressa,
como uma presa
rendida pelo apetite
de amar-te ... devorar-te.
Mas, aqui indefeso.

Eu te amo
e te prezo ao preço
de meu coração dado
inconsequentemente,
no entanto, sinceramente

... e inconsequentemente
 Eu te amo
invertendo pronomes,
gramática, lógica matemática,
inventando química,
perdendo a noção da física
e não te tendo fisicamente
e te tendo fixa na mente,
fixa na mente,
na mente.


 Jefferson Santana

domingo, 3 de fevereiro de 2013


 
Embora haja tantas desventuras

 a vida é uma luta

e poemas são armas let(r)ais


Jefferson Santana


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013





- E as flores do Jardim, Ângela?

Destes morros,
ainda morro 
sem te ver Bela Vista!


Jefferson Santana

domingo, 6 de janeiro de 2013

Sete Artes ainda não praticadas




Escrevo poemas
numa folha qualquer,
mas poeticamente...
francamente,
projetaria em teus olhos
roteiro de amor até teu coração,
sussurraria em teus ouvidos
a melodia que embala este meu sentimento,
e com minhas mãos
esculpir-te-ia de carícias,
e assim, pintaria em teu corpo
as marcas de meu amor,
pra que posteriormente
fizesse-te dançar até as nuvens
nesse embalo amoroso
e, lá representássemos o amor
mais puro e incontido...
...
mas, por enquanto,
sigo aqui só
escrevendo poemas numa folha qualquer

Jefferson Santana


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A poesia de todos os instantes




Há quem ache que a poesia feita
é somente dada por grande feito.
Mas a poesia se faz sem decreto
e em cada instante se apresenta.

Há o ditador que ordena e a condena,
há a polícia que bate e a combate,
há o homem que se prende ao volante
e a multidão que se prende nesse sistema.

Há quem feche os olhos e se esconda
diante da melodia e não dance,
não oferece permissão pra que se poetize.
Mas a poesia permanece escancarada.

Há poesia porque há luz que nasce a cada manhã
depois que as lâmpadas da noite se apagam.
Os muros da cidade em silencio gritam
intensamente pelos traços que os pintam.

Nas favelas, ainda que digam em poucas,
As flores ainda nascem plantadas e inesperadas,
E as crianças, ainda que não todas,
Não são pessoas adultas e comportadas.

Ainda assim, há quem reclame do céu nublado,
mas lamento que há quem ande com o rosto fechado,
e que na própria chuva nunca se molhe,
até um singelo riso é capaz que agasalhe.

Pra que os dias de poesia não se retenham em livros
guardados, empoeirados e esquecidos nas estantes,
é preciso que se abram olhos e coração para os indícios
da harmonia lírica de todos os instantes.

Se o tempo é de metralhadoras que não param de atirar,
de medos manifestados, de amores não correspondidos...
mais do que nunca é tempo de amar!
Pra que hoje mesmo, seja o tempo da poesia cativar.

Jefferson Santana