Não tenho tido paciência com a vida.
Quero o protagonismo da história
mas não sou nem o poema das prateleiras.
Ainda assim, peguei minhas armas e atirei...
rajadas no escuro, no vão,
embora buscasse o muro das indiferenças.
Os muros são surdos,
há muitas vozes retidas,
ecos que se retêm,
ecos que se refletem.
Os muros parecem mudos,
mas há tantos mundos separados por tais,
que é impossível contextos sem textos.
Há pingos pra serem inseridos nos "Is"
e crases ainda não aparentes nos "As".
Nem sempre as frases que berrei foram poesia
e nem sempre a poesia foi entendida em frases,
mas busquei alguma cadência com os versos,
embora tenha restado essa carência de não ser compreendido.
O riso é algum risco na face escancarado,
e alguns rios desaguam em cachoeiras.
Não tenho vivido os riscos
e minhas lágrimas têm se acumulado feito lagoa.
Nem por isso tenho deixado de almejar os mares
de todos esses mundos que me roubaram.
Chamaram-me de poeta dramático,
mas como ser poético sem algum drama?
Acho que carrego desde criança uma ausência,
que mesmo com o coração cheio me falta.
Busco preencher nas folhas essa minha falta...
essas minhas advertências.
Faltam-me as estantes e os instantes de alguns olhos a mim atentos.
Mas as prateleiras também são estáticas e eu quero servir pra alguma coisa.
Quero ser a primeira poesia do amanhecer
e a última que repouse no anoitecer.
Jefferson Santana
domingo, 22 de dezembro de 2013
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
domingo, 1 de dezembro de 2013
A (in)capacidade do poeta
Não tinha o que dar de comer aos esfomeados,
nem matar a própria sede nos lábios de seu amor.
Tinha apenas folhas vazias
e muitos pontos pra colocar.
Sabia que cedo ou tarde poderia virar essa página.
Então foi tentar a felicidade por algumas linhas,
na redação de seus sonhos.
Jefferson Santana
sábado, 2 de novembro de 2013
(Des)encontros
Nossas vidas se cruzaram de modo tão inesperado
que nos atropelamos.
(Não sei quem segue mais machucado,
mas por aqui a dor se esparramou em lágrimas
que só com o passar do tempo se secarão.)
Ainda debilitado de movimentos
levantei-me do chão e avistei que à frente
havia pelo menos meia dúzia de semáforos e dezenas de setas.
Vi um homem aparentemente cego
que desafiava todas as indicações presentes.
Ele talvez só enxergasse com a bengala
e com o coração na mão
por poder morrer a qualquer instante.
Mas ele seguia valente seu próprio caminho,
por talvez sentir todas as outras coisas a mais que eu.
Não sei qual força o movia,
mas eu precisava encontrar a minha.
Ah, sobre nós os atropelados,
seguimos as mesmas direções que estávamos antes,
ainda que já não somos mais os mesmos de outrora.
Jefferson Santana
domingo, 22 de setembro de 2013
Da Primavera
Embora eu fosse todo inverno,
foi impossível deter a primavera
quando nossos olhares se cruzaram
e eu me deixei ser regado pela sua boca.
Jefferson Santana
foi impossível deter a primavera
quando nossos olhares se cruzaram
e eu me deixei ser regado pela sua boca.
Jefferson Santana
terça-feira, 20 de agosto de 2013
domingo, 18 de agosto de 2013
Das coisas incompreensíveis
Impossível sintetizar o céu
numa única cor
logo que se está amanhecendo.
Mas logo vai vindo e presenciamos o dia,
e a gente vai passando a tarde
mencionando um nome na mente.
Talvez em busca de adjetivos que possam definir
vamos criando metáforas com os olhos
que veem presença na paisagem
ainda que esteja ausente a pessoa mencionada.
Das coisas concretas
já me bastam as conclusões,
às vezes eu prefiro beber da loucura
do que apenas o refresco limitado da água de um copo.
Por isso vou sendo embalado pela trilha sonora
que ecoa quando a moça fala
e, caminharei ritmado pelas batidas deste meu coração.
Jefferson Santana
domingo, 11 de agosto de 2013
Eu quero um poema que não seja de comer,
Mas que a boca possa degustá-lo.
Um poema não precisa ser gostoso,
Mas para bom uso,
Língua deve possuí-lo saborosamente.
Para quem mais leia,
Que se lamba com cada sílaba deslizada da cadência dos lábios!
Que de partícula em partícula
Nutra o corpo e vermelho sangre!
Cada estrofe facilmente estufa
Aqueles que só consomem criação industrial,
Mas eu constantemente me alimento de versos,
Diversos e demais versos que matem fome de palavra...
Versos em porções desproporcionais aos regulamentos.
Jefferson Santana
domingo, 4 de agosto de 2013
Medidas e alcances
Não me diga que a vida é composta de medidas!
Que se mede valor
pelo preço que se paga
até pelas inutilidades.
Desse jeito eu não meço meus desejos...
aliás, nunca medi meus desejos
achando merecer mais do que tenho.
Eu só quero medir
a distância entre mim
e outro coração batendo,
pra que de fato possa chegar a algum lugar.
A vida...
A vida de fato também é uma composição de medidas,
ora cautelares,
com um tanto colaterais.
Mas não me amarre
ao menos que alguém me ame.
Gosto muito das maçãs,
principalmente as dos mais altos galhos...
as que talvez nem alcance.
Jefferson Santana
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Dispersar
Diversas doses ventriculares de desalentos
irrigaram desordenadamente meus impulsos.
Restou sobreviver de marcapassos,
contando as dores
antes mesmo de viver as aventuras.
Porém nem sempre as comportas
comportam o que queremos.
Abrirei minhas veias
dispersando no espaço
veneno e sangue,
ainda que não me renove...
ainda que o verbo não se remova.
Talvez em algum tempo
de mim façam alguma ceia,
servida a cada página
de vida virada dia a dia.
Afinal,
hei de morrer e renascer nas madrugadas.
irrigaram desordenadamente meus impulsos.
Restou sobreviver de marcapassos,
contando as dores
antes mesmo de viver as aventuras.
Porém nem sempre as comportas
comportam o que queremos.
Abrirei minhas veias
dispersando no espaço
veneno e sangue,
ainda que não me renove...
ainda que o verbo não se remova.
Talvez em algum tempo
de mim façam alguma ceia,
servida a cada página
de vida virada dia a dia.
Afinal,
hei de morrer e renascer nas madrugadas.
Jefferson Santana
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