domingo, 18 de agosto de 2013
Das coisas incompreensíveis
Impossível sintetizar o céu
numa única cor
logo que se está amanhecendo.
Mas logo vai vindo e presenciamos o dia,
e a gente vai passando a tarde
mencionando um nome na mente.
Talvez em busca de adjetivos que possam definir
vamos criando metáforas com os olhos
que veem presença na paisagem
ainda que esteja ausente a pessoa mencionada.
Das coisas concretas
já me bastam as conclusões,
às vezes eu prefiro beber da loucura
do que apenas o refresco limitado da água de um copo.
Por isso vou sendo embalado pela trilha sonora
que ecoa quando a moça fala
e, caminharei ritmado pelas batidas deste meu coração.
Jefferson Santana
domingo, 11 de agosto de 2013
Eu quero um poema que não seja de comer,
Mas que a boca possa degustá-lo.
Um poema não precisa ser gostoso,
Mas para bom uso,
Língua deve possuí-lo saborosamente.
Para quem mais leia,
Que se lamba com cada sílaba deslizada da cadência dos lábios!
Que de partícula em partícula
Nutra o corpo e vermelho sangre!
Cada estrofe facilmente estufa
Aqueles que só consomem criação industrial,
Mas eu constantemente me alimento de versos,
Diversos e demais versos que matem fome de palavra...
Versos em porções desproporcionais aos regulamentos.
Jefferson Santana
domingo, 4 de agosto de 2013
Medidas e alcances
Não me diga que a vida é composta de medidas!
Que se mede valor
pelo preço que se paga
até pelas inutilidades.
Desse jeito eu não meço meus desejos...
aliás, nunca medi meus desejos
achando merecer mais do que tenho.
Eu só quero medir
a distância entre mim
e outro coração batendo,
pra que de fato possa chegar a algum lugar.
A vida...
A vida de fato também é uma composição de medidas,
ora cautelares,
com um tanto colaterais.
Mas não me amarre
ao menos que alguém me ame.
Gosto muito das maçãs,
principalmente as dos mais altos galhos...
as que talvez nem alcance.
Jefferson Santana
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Dispersar
Diversas doses ventriculares de desalentos
irrigaram desordenadamente meus impulsos.
Restou sobreviver de marcapassos,
contando as dores
antes mesmo de viver as aventuras.
Porém nem sempre as comportas
comportam o que queremos.
Abrirei minhas veias
dispersando no espaço
veneno e sangue,
ainda que não me renove...
ainda que o verbo não se remova.
Talvez em algum tempo
de mim façam alguma ceia,
servida a cada página
de vida virada dia a dia.
Afinal,
hei de morrer e renascer nas madrugadas.
irrigaram desordenadamente meus impulsos.
Restou sobreviver de marcapassos,
contando as dores
antes mesmo de viver as aventuras.
Porém nem sempre as comportas
comportam o que queremos.
Abrirei minhas veias
dispersando no espaço
veneno e sangue,
ainda que não me renove...
ainda que o verbo não se remova.
Talvez em algum tempo
de mim façam alguma ceia,
servida a cada página
de vida virada dia a dia.
Afinal,
hei de morrer e renascer nas madrugadas.
Jefferson Santana
sábado, 15 de junho de 2013
TÁ CARO MESMO!
Tá caro mesmo!
Tacaram preço alto na passagem,
atacaram nosso direito de passagem,
atacaram a escola pública,
atacaram a saúde.
Atacaram-nos com a sua corrupção,
atacaram-nos à borrachada,
mas não apagaram o desejo da mudança.
Tá caro mesmo!
E mesmo que se pague
preço alto pela revolta,
não sou cão de guarda adestrado
pra viver seguindo ordens.
Tá caro mesmo!
Mas prefiro defender
meu valor de cidadão
do que pagar o preço
de ficar em silêncio.
Jefferson Santana
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Poema (des)alinhado
Depois de mexido
muito difícil
voltar ao exato lugar...
e se voltar,
por marca forte deixar,
já há um espaço de tempo suficiente
de deslize.
Seja terremoto, empurrão,
olhar (des)encruzado...
(não) está no lugar!
O mesmo em que (não) deve ocupar.
O vento aqui já se fez forte.
Agora bate as portas em outra morada.
A casa (não) caiu,
mas também o inverno passou
e voltou.
Dos frutos que nasceram no outono...
caroços secos e soltos.
Libertei a tristeza de dentro de mim
e ela borrou o poema de amor que eu tinha escrito.
Ou talvez o próprio amor
fosse o borrão dos meus olhos.
Seja lá como for...
já foi.
Disse o médico
que abalo cardíaco
levaria o (im)paciente
à morte.
Mas a própria vida é composta de oscilações.
Exatamente agora
remeto ao passado:
-Podia ser tanta coisa!
Escolheu ser só
lembrança.
O tempo
é esse momento
em que se (de)cifra o poema.
Jefferson Santana
sábado, 11 de maio de 2013
(des)conectado
iPad iPhone iPod...
meu bem, não me pergunte sobre nada disso,
porque só entendo do I love you.
Jefferson Santana
terça-feira, 7 de maio de 2013
Consumo amor
Consumo amor.
Assumo
que com seu sumo
embebedo-me,
pois minha sede
é da que não some
antes que se somem
boca
com líquido agridoce.
Sumo de amor
é para embriaguez,
que de vez em quando,
não é de vez!
Nas calçadas cheias, porém frias
da cidade,
desordenadamente eu bebo,
já que não bebera
em taças
não enumeradas a mim.
Por conta própria,
assumo!
Neste presente momento
eu consumo o amor
ao sedento desejo que se apresenta.
Jefferson Santana
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