sábado, 15 de junho de 2013
TÁ CARO MESMO!
Tá caro mesmo!
Tacaram preço alto na passagem,
atacaram nosso direito de passagem,
atacaram a escola pública,
atacaram a saúde.
Atacaram-nos com a sua corrupção,
atacaram-nos à borrachada,
mas não apagaram o desejo da mudança.
Tá caro mesmo!
E mesmo que se pague
preço alto pela revolta,
não sou cão de guarda adestrado
pra viver seguindo ordens.
Tá caro mesmo!
Mas prefiro defender
meu valor de cidadão
do que pagar o preço
de ficar em silêncio.
Jefferson Santana
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Poema (des)alinhado
Depois de mexido
muito difícil
voltar ao exato lugar...
e se voltar,
por marca forte deixar,
já há um espaço de tempo suficiente
de deslize.
Seja terremoto, empurrão,
olhar (des)encruzado...
(não) está no lugar!
O mesmo em que (não) deve ocupar.
O vento aqui já se fez forte.
Agora bate as portas em outra morada.
A casa (não) caiu,
mas também o inverno passou
e voltou.
Dos frutos que nasceram no outono...
caroços secos e soltos.
Libertei a tristeza de dentro de mim
e ela borrou o poema de amor que eu tinha escrito.
Ou talvez o próprio amor
fosse o borrão dos meus olhos.
Seja lá como for...
já foi.
Disse o médico
que abalo cardíaco
levaria o (im)paciente
à morte.
Mas a própria vida é composta de oscilações.
Exatamente agora
remeto ao passado:
-Podia ser tanta coisa!
Escolheu ser só
lembrança.
O tempo
é esse momento
em que se (de)cifra o poema.
Jefferson Santana
sábado, 11 de maio de 2013
(des)conectado
iPad iPhone iPod...
meu bem, não me pergunte sobre nada disso,
porque só entendo do I love you.
Jefferson Santana
terça-feira, 7 de maio de 2013
Consumo amor
Consumo amor.
Assumo
que com seu sumo
embebedo-me,
pois minha sede
é da que não some
antes que se somem
boca
com líquido agridoce.
Sumo de amor
é para embriaguez,
que de vez em quando,
não é de vez!
Nas calçadas cheias, porém frias
da cidade,
desordenadamente eu bebo,
já que não bebera
em taças
não enumeradas a mim.
Por conta própria,
assumo!
Neste presente momento
eu consumo o amor
ao sedento desejo que se apresenta.
Jefferson Santana
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Cada vez mais (di)versos
vi(de) verso(s)
às vezes deixo lágrimas avulsas,
até porque meus sentimentos
não ficam contidos em embalagem fechada.
hay quien
lucha con(tra)
el amor
Partiram seu coração
no meio.
Não iria atrás de novo amor...
ma(i)s foi(ce).
ainda que os lábios não alcancem
declamar poesia é o beijo dado à distância.
ainda que a poesia não seja açúcar
e não adoce os seus lábios,
como não sentir a delícia
da palavra que se pronuncia?
Jefferson Santana
sábado, 30 de março de 2013
Desejo inter(in)disciplinar
Ainda chegará o dia em que eu,
sujeito simples, terei composto
teus períodos mais-que-perfeitos
e teus suspiros mais
que exclamativos.
Língua e língua em intensa sincronia,
conjunção de corpos como aditivos.
Mas você que a tudo define como estória
de minha parte, ainda verá que nenhum dos registros
é tão verdadeiro como esse desejo que se alforria
do mediterrâneo do eu contemporâneo .
Não haverá tempo futuro que se agrade
se não souber do presente que é este nosso tempo.
Até por isso, declaro que meu norte é teu corpo
que de região em região beijaria até o extremo de teu sul.
Rosa-dos-ventos de meu coração
sem noção e sem senso de direção.
Perderia-me facilmente nesse encontro
de nossas massas quentes em nossos relevos.
Ainda que me chame de explorador de teus sentidos
o contexto é entre eu e você no mesmo ambiente.
Mais-valia ou mais vale nossa relação conveniente,
do que Marx e mais desculpas esfarrapadas.
Sociólogo ou sou seu logo amor na práxis...
pratiquemos pra que ambos da vida gozemos.
Mas você ainda acha que fico de filosofar à toa,
só não sabe que nada sabe ainda
que eu projeto meus sonhos nesta folha
pra que eles atormentem suas dúvidas.
Quero certamente teu ser na essência
Sem nenhuma inocência mentirosa.
Pois de todas você é a escultura
que quero acariciar em cada curva.
E mesmo que meu pensamento seja uma tela
que te pinto e te marco a traços intensos,
ainda poderíamos dançar a música
que embala os roteiros mais românticos.
Pra ser mais direto, se nós dois formos somados
poderíamos dividir a mesma cama, sofá, chão...
e multiplicarmos carícias, beijos, orgasmos.
A fórmula é simples, portanto, pra quê problema?
É mais que necessário subtrair qualquer medo,
viver e viver ao invés de só sobreviver deci-mal.
É forte meu desejo e frente ao teu
é uma energia potencial fluorescente.
Somos
descarga elétrica se fundidos.
Então vamos cortar o tempo que estamos distantes
pra que nos aproximemos mais rapidamente
e dividamos o mesmo espaço e presença.
Sejamos mais imã e aço,
juntemos nossos polos e façamos a dispersão
de nossa intensa e constante ebulição.
Somos compostos por uma química perfeita:
nossa matéria interligada é chama,
combustível e combustão completa.
Epidemia que toma conta do meu ser
Contagiando o teu ser pelo contato.
Meu fruto carnoso e teu fruto encharcado
formam a simetria exata: o encaixe e o desencaixe.
Ainda que sejamos movimento e pausa
é da na tua pele e teu corpo que está meu nutriente.
Pra que correr atrás de ti, se correr junto é o essencial?
Sincronizar ações e emoções
sem resistência definida e cronometrada.
Ainda que sejamos movimento e pausa novamente
quero exercitar teus lábios... todos eles,
que estejam no teu conjunto de modalidades.
Língua minha te provando...
e provando-te que comunicação acontece
mesmo que existam diferenças de termos...
gêneros distintos. Somos
inter(in)disciplinados.
She, nem queira
agora inventar de He de mim,
Le deseo mucho e
ponto final.
sábado, 16 de março de 2013
sou (di)versos
Jefferson Santana e alguns de seus (di)versos
Falta de amor é a pior doença,
até porque tem muita gente
morrendo por causa disso.
um poeta (ins)pirado
(ex)pira poesia,
mas também acho,
que poesia (ins)pirada
(ex)pira poeta.
(DES)AFIN(AR)
Ainda que seca,
sua boca
não se calou.
Muito a fim de falar,
deu o ar da graça.
"Tudo na vida tem um preço..."
quisera eu, que a importância acima
não dependesse da minha carteira vazia de valor,
mas de meu coração cheio de amor!
Sentia-se nas nuvens quando amava em tempos de chuva.
Mas quando despencou daquele céu,
foi ela que despencou um temporal de lágrimas.
a boca já seca, muito seca
de cantar o amor que sentia por ela
aos quatro cantos da cidade
a boca seca, muito seca
e tanta sede, tanta sede
e tanto se excede...
que somente embebedando-se...
embebedar-se dos lábios dela.
Amor em poeta
vem sem definida seta,
e de qualquer direção o acerta.
criou desgosto pela vida,
pois o gosto que ficou,
foi o do amargo último beijo.
Todos os meus poemas são atentados.
Por isso, atentem-se as cabeças,
atentem-se os corações.
arranha-céus
arranham seus...
nossos olhos
Tantos rascunhos,
tantas linhas tortuosas,
tanta coisa jogada fora
e, ainda assim,
alguma coisa consagrada como poesia.
sábado, 2 de março de 2013
Era uma poesia ambulante
Em noite de lua cheia,
ela passava por mim
deixando fragrância de
flores
embaladas pelo sereno.
Era noite,
mas via seus lábios
molhados,
como orvalhos que me
amanheciam.
Deixava meus olhos com
brilho de estrelas,
quando via suas curvas
que me conduziam
aos mais intensos
desejos líricos.
Era uma poesia
ambulante.
Foi-se,
mas espero que logo
volte.
Jefferson Santana
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