sábado, 22 de setembro de 2012
sábado, 15 de setembro de 2012
Capítulos Ambíguos
(Poema inédito)
Das pedradas que levei
surgiram feridas que muito sangraram,
alívio é perceber que cicatrizam.
Dos tropeços conseguidos
muitas foram as quedas.
Hoje, firmes são as passadas,
pois aprendi a detectar obstáculos.
Pelos venenos consumidos
quase minha vida foi perdida.
Através deles, antídotos foram descobertos.
Se alguns não foram amigos
e me rejeitaram,
pude reconhecer
os amigos que nunca me rejeitariam.
Dos silêncios que foram expressos,
das amargas palavras que se exalaram,
Muitos poemas surgiram.
Jefferson Santana
domingo, 9 de setembro de 2012
DISCURSO DE PATRÃO PARA TRABALHADOR BRASILEIRO
Trabalhe trabalhador.
Derrame o teu suor
E faça da minha empresa a
melhor.
Você trabalha com dor
Pouco vendo do dinheiro a
cor
E eu enriquecendo a teu
dispor.
Trabalhe vagabundo!
Pois é pobre e encabulado.
Não chegará onde estou
sentado
Porque tudo está
programado:
Trabalhará, ficará cansado
E se chegar a ficar
aposentado,
Morrerá esquecido.
Trabalhe direito,
Pois quando eu quiser te
demito
E tu não serás mito,
Só um mendigo sem
respeito.
Digo ainda, que eu não sou injusto.
O negócio estabelecido
Que me cobra,
Que te cobra
Vontade,
Competividade,
Na constante conformidade.
Caso não queira
Eu pego outro da fila.
(Jefferson Santana, do livro Cantos e Desencantos de um Guerreiro)
domingo, 2 de setembro de 2012
sábado, 1 de setembro de 2012
Procura-se amor
(Poema inédito)
Procura-se amor
para estações diversas da
jornada,
como brasa que aqueça friagem,
como brisa que arrepie a pele,
como beijo que umedeça lábio
seco.
Procura-se amor
nas escadas frequentes de
subidas e
descidas,
nas varandas que se avistam
horizontes,
embaixo
de semáforos que regulam
cruzamentos.
Procura-se amor
como remédio pra desalento,
como alimento pra apetite
irreprimido,
como feriado que anteceda fim
de semana.
Procura-se agora
de noite
pro dia
pros dias
pró dias
próximos dias,
pr’além das noites.
Jefferson Santana
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Na minha escola não tem aula
Na minha escola não tem aula,
Na minha escola não tem aula,
Na minha escola não tem aula.
E por que teria aula
Se ter aula é brincadeira?
Ter aula é brincadeira!
Para o governo é brincadeira,
Para o estudante é brincadeira.
Ter aula é brincadeira.
E ninguém continua dando valor a brincadeiras.
(Jefferson Santana, in Cantos e Desencantos de um Guerreiro)
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
sábado, 18 de agosto de 2012
Um navegante
Um navegante surge no horizonte.
Como vindo de muito longe,
espero que queira hospedagem.
Surge por trás da visão marítima
como sujeito imponente
trazendo luz por onde chega.
Por onde passa
até as nuvens abrem caminho.
Uma nuvem ou outra atravessa-o
mas ele imponente
não perde a chama que acendeu.
Refletido no espelho do mar.
As ondas vem chegando
no mesmo instante que o reflexo.
Que nas areias da praia onde estou, se retenha
como algas que passeiam e por acaso ali estacionam.
Destino
desenhado
a partir do percurso
mais improvável da onda que nasceu.
Aqui te encontro imponente
e meu sonho rejuvenesce.
Um querer incessante
numa praia abundante
n'agua, n'areia amena
o porto seguro.
Jefferson Santana (Porto Seguro/ Bahia - Agosto de 2012)
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
PARTES EM PARTE
Um poema
para se desintoxicar de um problema.
Um pedaço de mim
combatendo outro pedaço de mim.
De partes em partes vai se poetizando
coração
despedaçado.
Um poema como sorriso no rosto
para aliviar tapa na cara...
pancada
nas costas,
rasteira nas pernas.
- Agruras desta vida,
não deixe que falte
o poema de cada dia!
(Jefferson Santana)
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Sequelas
Sentir o coração agitado, violentando o meio do peito.
Sentir a lágrima que cai dos olhos despejando revolta.
Sentir os pesadelos que consomem os pensamentos.
Sentir
Sentir
Sentir
Sentir o elo
partido
Sentir o corpo
vagando no
mundo
perdido.
Sentir
o sentido se desfazendo...
sentido
sem
direção
sem
seta
sentindo
seguidas
sequelas.
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