Por Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)
quinta-feira, 26 de abril de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
ORAÇÃO DO GUERREIRO
Pai nosso que estás no céu
Não abandone a Terra
E nem o meu coração.
Não me deixe cair na tentação
De negociar meus sentimentos,
Enterrar pensamentos
E de concordar com os tiranos.
Não abandone a Terra
E nem o meu coração.
Pai nosso, eu te pergunto:
Se somos todos teus filhos
Por que nossas condições são diferentes?
Tenho fome e sede de resolver,
Porém do conhecimento
Poucas partes me apresentaram.
E não pude reter
Valor de significado suficiente
Que pudesse me deixar sossegado.
Por isso eu te pergunto.
Pai nosso,
Eu estou entediado!
Já fiquei de joelhos,
Porém, agora preciso caminhar.
Seja a ventura que for,
Que sejas capaz de me perdoar.
Só não é mais possível ficar de joelhos
E esperar que o céu venha buscar os inocentes.
(Jefferson Santana in Cantos e Desencantos de um Guerreiro)
sexta-feira, 13 de abril de 2012
MOVIMENTAÇÃO
Ando pela rua
E vejo uma bicicleta,
Seguida por uma moto,
Seguida por um carro,
Seguido por um caminhão,
Sombra do avião,
Chega!
Já estou com a cabeça na
Lua.
(Jefferson Santana in Cantos e Desencantos de um Guerreiro)
sexta-feira, 6 de abril de 2012
POEMA MEIO ESTRANHO
Nasci em Dezembro,
Porém em Junho
É quando começa o inverno.
Quando doze são os
sonhos
Tenho a noção de
Meias tristezas,
Meia dúzia de rosas vermelhas
Cortadas
Tenho a noção de
Meias tristezas,
Meia dúzia de rosas vermelhas
Cortadas
Fazendo-me sangrar.
Meias palavras
Não são
Meios sentimentos.
Não são
Meios sentimentos.
Muitos sussurros,
Tantas dores,
Diversos temores.
Minha maior mentira
É dizer
Meia verdade,
Falsidade
Do medo que prevalece,
Num corpo que pré envelhece,
Como tolice
De média escala.
De tudo
De pouco.
Sem mais
Sem menos.
Diversos temores.
Minha maior mentira
É dizer
Meia verdade,
Falsidade
Do medo que prevalece,
Num corpo que pré envelhece,
Como tolice
De média escala.
De tudo
De pouco.
Sem mais
Sem menos.
Jefferson Santana in Cantos e Desencantos de um Guerreiro
sábado, 31 de março de 2012
Meu ato poético
EU POÉTICO
Aqui tento dirigir
palavras,
Mas sou somente
passageiro,
Guiado sem destino
Na estrada destas linhas.
Aqui meu amor é vasto,
Minha raiva é poderosa,
Minha angústia é dolorosa,
Registros de intenso
conflito.
Palavras vou remendando.
Poemas vou escrevendo.
Se sou certo ou desastrado
É porque sou espontâneo e
estabelecido.
Uma mão
Escreve sentimentos numa folha
branca,
Uma folha branca
É rabiscada por linguagem
poética.
E toda a dor
Que insisto em expor
É o sofrimento
Que em linhas torna-se
relato.
E tudo
Não faz sentido algum
E nada
Não é simplesmente nenhum.
E toda felicidade
É contraste da realidade,
Pois no real
Há sempre o contato com o mal.
E se me sinto no céu
O retrato é o papel,
Pois os versos descrevem
As emoções que não se
medem.
Caso minhas linhas sejam
tortas
É porque são emoções
expostas.
Emoções não são precisas e
certas,
Mas dominam páginas
completas,
Não só de um caderno
Mas de uma vida em tempo
eterno.
Assim, vidas acabam
E as palavras ficam.
Toda a expressão
Escrita nestas folhas,
Com todo meu exagero,
É proveniente do coração.
(Jefferson Santana in Cantos e Desencantos de um Guerreiro)
domingo, 25 de março de 2012
Poesia do silêncio
O silêncio é a poesia
Estancada no vale da consciência.
É a poesia reprimida,
que se mantêm indecifrada.
Poesia oculta,
Revoltada e paralítica.
É a poesia fingidamente morta,
Sem exclamação e sem música.
Nós humanos que criamos termos
Somos os mesmos que calamos discursos.
Passamos a vida a poetizar
Sem uma expressão recitar.
Estancada no vale da consciência.
É a poesia reprimida,
que se mantêm indecifrada.
Poesia oculta,
Revoltada e paralítica.
É a poesia fingidamente morta,
Sem exclamação e sem música.
Nós humanos que criamos termos
Somos os mesmos que calamos discursos.
Passamos a vida a poetizar
Sem uma expressão recitar.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Desabafo: Mediocridade!!!
Vivemos numa sociedade medíocre, onde o imperialismo econômico prevalece, frente as necessidades das pessoas. Vivemos numa sociedade tão medíocre, que nem a básica educação existe para todos, e aqueles que estão fora de uma determinada elite econômica e querem dar um voo mais alto do que essa medíocre educação básica, tem muitas vezes seus direitos questionados.
Estudei em escola pública por toda a minha vida e pelas minhas condições sociais, estava taxado a estar dentro do imenso grupo que não tem acesso ao Ensino Superior. Porém, tive a oportunidade de realizar o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e acabei beneficiado pelo PROUNI (Programa Universidade Para Todos), que na verdade ainda não beneficia todos aqueles que desejam ingressar em uma universidade, mas que tem ajudado a muitas pessoas a conquistarem esse sonho. Apesar disso, as dificuldades para uma pessoa de classe média baixa ter acesso ao Ensino Superior são ainda gigantescas. Uma das mediadas adotadas para diminuir ainda mais o esse déficit é a substituição dos tradicionais vestibulares pela nota da prova do ENEM, onde várias universidades, ao invés de aplicarem vestibulares, utilizam a nota obtida pelos alunos no ENEM. Sabe-se que há muito interesse comercial neste ato, pois as Universidades e Faculdades podem ter mais alunos no seu quadro de pagantes, porém, para quem está querendo cursar o Ensino Superior é uma ótima oportunidade de mostrar seu esforço numa prova onde todos os estudantes, de todas as classes sociais têm o mesmo critério de avaliação.
No entanto, o que acontece nessa sociedade medíocre é que muitos daqueles que pertencem a uma minoria social que detêm a maioria do capital, se opõem a esta medida de inclusão, alegando que serão prejudicados pois pessoas de diferentes "níveis" poderão concorrer diretamente com eles às vagas existentes no Ensino Superior. É nessas horas que eu me pergunto se esses burguesinhos não tem vergonha na própria cara? Pelo jeito não têm... sabem que os prejudicados sempre são aqueles que pertencem a maioria com pouco capital, que mal teriam dinheiro para pagar e fazer um vestibular e que pelos métodos discriminatórios tradicionais presentes nessas provas mesmo que pagassem, não teriam chance de passar em tais vestibulares, mas mesmo assim... olha eles aí, mostrando que "Gente Diferenciada" não pode ter acesso ao Ensino Superior num método igualitário a todos, onde todos serão avaliados da mesma forma.
Realmente... é por estas e outras que vivemos numa sociedade medíocre... mas muito medíocre!!!!
sexta-feira, 16 de março de 2012
VISÃO INVISÍVEL
Perdida mente
Neste espaço cinzento.
Nada penso,
Do que faço
Sem compasso.
Nenhuma via se abriu
Com os ventos do outono
E perdidamente
O corpo luta contra o sono
De noite não dormida,
Do dia velado.
É fria madrugada!
Perdidamente
Deserta e escura.
Perdidamente
Sem rumo definido.
Perseverante
A visão invisível.
Invencível
Capacidade de se perder.
Nada penso,
Do que faço
Sem compasso.
Nenhuma via se abriu
Com os ventos do outono
E perdidamente
O corpo luta contra o sono
De noite não dormida,
Do dia velado.
É fria madrugada!
Perdidamente
Deserta e escura.
Perdidamente
Sem rumo definido.
Perseverante
A visão invisível.
Invencível
Capacidade de se perder.
(Jefferson Santana in Cantos e Desencantos de um Guerreiro)
quinta-feira, 8 de março de 2012
As mulheres
As mulheres são essencialmente a inspiração
poética
mais estética,
entre as estrelas do universo
e as flores dos campos diversos.
Mulheres são os versos
mais trabalhados
que a poesia da vida pode oferecer.
Contidas de ritmo a nos fortalecer,
de combinações de sentidos a nos contagiar
e a palavra mais segura para nos resgastar.
(Jefferson Santana)
sexta-feira, 2 de março de 2012
COISAS
Algumas pessoas esquecem,
Outras nem tanto,
Muitas, porém
preocupam-se.
Correr, correr, correr...
E nunca fugir de nada.
Nunca chegar além.
Perder, ganhar, estagnar.
O pior é não se
movimentar:
É perder alegria e ganhar
desespero.
Faltar
Como é ruim faltar algo,
Porque nada é completo?
O resto
O principal
Há coerência nisso?
Ser assim
Quem determinou?
(Jefferson Santana in Cantos e Desencantos de um Guerreiro)
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