sábado, 20 de novembro de 2010

SONHO



Em uma noite eu sonhei

Que assustava a tirania

Zumbizando na orelha direita dela.

sábado, 13 de novembro de 2010

MANUAL DE UM PORRE QUALQUER

Um dia qualquer,
Qualquer dia entre outros,
Qualquer dia um outro porre
De um porre qualquer,
Qualquer porre de um dia qualquer
É só mais um porre,
Só mais um dia,
Só mais um dia
É só mais um porre,
E só menos um dia
Destes dias quaisquer.

domingo, 31 de outubro de 2010

Descobrimento do Brasil

Arco, flecha
Arco, flecha
Arco, flecha.
O cerco fecha,
Caravelas fecham,
Conquistadores fecham.
Nativos
Inativos
Oprimidos,
Nativos
Inativos
Oprimidos,
Nativos
Inativos
Oprimidos.

Ora pois,
Força bruta
Força bruta
Força bruta.
O tempo fechou.
A mata abriu.
As matas abriram.
A matança aberta.
Tribos atribuladas
Tribos atribuladas
Tribos atribuladas.

Ora pois,
Caciques na forca,
Finados nas ocas.
Sem rumo
Perdida a terra
Perigoso o céu,
Em nome de um deus,
Em nome de um rei,
Em nome de uma pátria,
Em nome de uma língua.

Ora pois,
Tirania selvagem
Carregada de pólvora,
Carregada de doenças,
Carregada de malícia.
Navegação ativa
Caçadora de nativos
Tirania selvagem,
Tirania selvagem,
Tirania selvagem.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

PELOS VERDADEIROS GUERREIROS (Manifesto Pró-Dilma)

É chegada a hora guerreiros,
Mais uma batalha
Da guerra dos 500 anos.
Contra o massacre da colônia
Onde verdadeiros guerreiros não se exilaram da luta;
Contra o massacre da escravidão;
Onde verdadeiros guerreiros não se exilaram da luta,
Contra o massacre do Império
Onde verdadeiros guerreiros não se exilaram da luta;
Contra o massacre das desiguais terras
Onde verdadeiros guerreiros não se exilaram da luta;
Contra o massacre nas periferias,
Onde verdadeiros guerreiros não se exilaram da luta;
Contra o massacre da Ditadura Militar,
Onde verdadeiros guerreiros não se exilaram da luta;
Contra o massacre da privatização do meu suor,
Onde verdadeiros guerreiros não se exilaram da luta.

Dentro desta história
Surge um pernambucano sindicalista
Que me deu um pouco de força
Pra lutar contra massacres
De colônia, império, escravidão, desigualdade, ditadura, privatização...
O pernambucano sindicalista
Mostrou-me que é possível sonhar,
Que é preciso continuar a lutar.

A próxima batalha está próxima
E precisamos de uma liderança.
Dua opções possíveis:
Um que se exilou da luta quando mais se precisou;
Outra que persistiu até na clandestinidade.

E aí guerreiros,
Qual a decisão?

A minha eu já tomei
Dia 31 eu inverterei o número na urna.


domingo, 17 de outubro de 2010

MEU POEMA

Meu poema nasceu de noite
Tão frio como os corações dos povos
Vazio como as ruas da cidade.
Arrepia na alma e no peito
Um pedaço de agonia e solidão.
O poeta que sonhou na aurora
Deixou o dia passar,
Esperou o dia acabar
E então viveu:
Apanhou,
Chorou.
Agora vai ter pesadelos no leito.
Sofrimento de vergonha
Embaixo do cobertor.
Assim não tem jeito não,
Tentar dormir
Sem nenhuma satisfação.

Porém há sempre a solução,
Quem sabe despertar de madrugada
Faça abrir os olhos da esperança,
Num preparo pra próxima batalha.
Até que finalmente amanheça
E a força retorne a seu lugar.

E que meu próximo poema
Venha quente como brasa
Queimando a estupidez das sanguessugas.

(In: Cantos e desencantos de um guerreiro)





segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Pensamento repentino


Perder a esperança?
Jamais!
No meio das tragédias é que surgem verdadeiros heróis.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

RESISTÊNCIA

                              Nascer
                         Morrer
       Uma vez Nascer
       Uma vez Morrer
Era uma vez Nascer
                         Resistir
                         Crescer
                         Resistir
                         Produzir
                         Resistir
                         Reproduzir
                         Resistir
                         Desistir
                         Refletir
                         Readquirir
                         Persistir
                         Desistir
                         Refletir
                         Readquirir
                         Persistir
                         Resistir
                         Produzir
                         Reproduzir
                         Persistir
                         Resistir
Até...
Pela última vez
                         Resistir
Ao curso natural da história
E Morrer feliz para sempre.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Para os guerreiros que amam



Amor é a flor da primavera,
é o vendaval do outono,
aconchego gostoso de inverno,
um verão que aquece sem marcar hora.

sábado, 4 de setembro de 2010

MARCOS ZERO DE CAPITAL

Praça da Sé,
Marco Zero da Capital.
Marcos Zero de capital
Desce a 15 de novembro
Caçando um trocadinho,
Trocadilhos no ar,
É manco de uma perna
E não eficiente pra sociedade.
Mancando para 15 de novembro,
Botando migalhas no bolso.
Bolsa de Valores de São Paulo
Money, dinheiro, merreca, trocado:
Valores de dentro,
Valores de fora,
Valores desequilibrados.

Mancando caminho abaixo
Foi pedir proteção
A São Bento e a São João.
O manco e suas mancadas
Caiu num tropeço
Das diversas pedras das Ruas.
Caminhando pra baixo,
Foi parar no imenso Vale.
Vale sem rio,
Não lavou a alma,
Mas seguiu São João
Pedro, Tomé, Mateus
E foi maltratado como um tal de Judas.

(Aliás Judas
Foi um desses que tropeçou na vida
Por causa do dinheiro.
Abandonou verdadeiros amigos
Para viver na ilusão.
Porém o sonho acabou
Quando Patrão lhe deu as contas,
Quando Patrão lhe deu as costas.
Daí perdeu tudo
E ganhou a compania de Marcos).

Marcos manco,
Marcos Zero de capital
No Marco Zero da Capital.
Tal manco um marco de dificuldades,
Porém seguia São João
E logo pensou que ouviu:
Ipiranga,
Logo pensou que viu Ipiranga.
Porém a noite já tinha chegado
E cruzar com Ipiranga era improvável.
Tropeçou, caiu e ficou por alí mesmo.

De repente, um tapa na cabeça
Acordou e viu um policial,
Concluiu que Independência nunca foi capaz de conquistar
Aliás lembrou que nunca,
Nunca conseguiu sair do Marco Zero da Capital,
Tal Marcos Zero de capital.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

HOMENAGEM: 100 ANOS DE TRANSPIRAÇÃO

Sob a Luz de um lampião e de um sonho popular, nasceu no dia 1º de Setembro de 1910 o Corinthians, profetizado pelos fundadores como o Time do Povo. De fato tais fundadores foram operários que se inspiraram em um time inglês que veio ao Brasil e mostrou raça e dedicação em seus amistosos por aqui. Os operários abrasileiraram e fundaram um clube com o corpo e a alma popular, que na época despertou a ira da então elite Paulistana especificamente de três clubes tradicionais da época: Germania, Paulistano e São Paulo Atletic Club; esses lutaram para que o sonho popular acabasse, porém inutilmente pois logo aquele humilde clube de operários no meio dos anos 10, se tornava mais um GRANDE com um diferencial de levar simples trabalhadores ao convívio e delírio com o futebol.

Os anos se passaram e a dedicação ao Corinthians aumentou, então tornou-se o mais popular do Estado e como nenhum outro representou nos movimentos sociais do Brasil. Nos anos 60 (em plena Ditadura Militar)por exemplo, um grupo inspirados na luta de Che Guevara pela Revolução Cubana decidiu fundar a Gaviões da Fiel com o objetivo de reivindicar e lutar por melhorias do clube. Aquele símbolo de anseio popular levou com que muitos integrantes fossem parar no DOPS que na época era lugar onde a polícia torturava aqueles que lutavam contra a ditadura e promoviam os simbolos de qualquer coisa que lembrasse revolução. Nesse período também o Corinthians estava em jejum de títulos e o fato de sua torcida não abandonar o clube lhe rendeu o apelido de FIEL.

Dado o grito de Campeão Paulista em 1977, foi responsável pela organização de um movimento no início dos anos 80 denominado DEMOCRACIA CORINTHIANA. Naquela época o país ainda vivia a ditadura e tal movimento ajudou na conscientização e edificação dos outros movimentos que ajudaram a derrubar a ditadura, um deles inclusive foi o DIRETAS JÁ.

De fato sabemos que até hoje o Brasil não vive uma verdadeira democracia, pois num país onde há tantas desigualdades sociais e falta de educação de qualidade, ainda não é possível que todos tenham as mesmas  condições de se informarem e se politizarem sobre o que acontece, somado ao fato que todos ainda tem o voto como uma obrigação e não como uma vontade natural. Porém assim mesma é a história do Time do Povo com conquistas e derrotas e infelizmente com muitos mercenários que se aproveitaram de sua grandeza para beneficio próprio.

Então corinthianos e brasileiros, fiéis a sua utopia por melhorias, como um emprego melhor, uma casa própria ou pelo menos um  prato de comida na mesa, mantém a sua luta mesmo que tenham que enfrentar adversários, elite, polícia e etc. Não param de lutar.

PARABÉNS AO CORINTHIANS PELOS SEUS 100 ANOS DE TRANSPIRAÇÃO!!!

UM SÉCULO LUTANDO NÃO É PARA QUALQUER UM.